Depois de um ano de intensos debates sobre o aperfeiçoamento do modelo comercial do setor elétrico, inicia-se o ano de 2018 sem que as muito aguardadas propostas de alteração dos marcos legais e regulatórios referentes ao risco hidrológico (GSF, na sigla em  inglês) e à Contribuição Pública 33 tenham sido enviadas ao Congresso Nacional.

O panorama deste início de 2018 é que, a rigor, não se conhece solução para o destravamento dos mais de R$ 6 bilhões em aberto na liquidação na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), tampouco o teor da Medida Provisória ou Projeto de Lei que conteria as propostas para alteração da arquitetura do modelo.

O que importa destacar é que a necessidade de mudanças - e sua urgência - está baseada na constatação de que o atual modelo comercial faliu. A atual arquitetura não se mostra capaz de resolver a crescente elevação dos preços pagos pelos consumidores, a despeito do imenso potencial energético brasileiro, e que o atual desenho aponta para um estado de permanente  judicialização, que se reflete sobretudo na liquidação da CCEE.

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Os aspectos positivos da modernidade estão ligados, de modo geral, à ruptura do pensamento medieval dominado pela religião e ao início de uma era em que o pensamento científico e a razão abriram novos horizontes para o desenvolvimento da sociedade. A Revolução Francesa de 1789 com o fim da monarquia absoluta e a Revolução Industrial do século 19 foram consequências dessa ruptura.

Desde então, modernidade passou a ser considerada símbolo do progresso, o que não só é incorreto, como perigoso. O culto da modernidade per se que está em voga hoje, principalmente na área de tecnologia, precisa ser analisado criticamente. Um exemplo é a área de comunicações, em que computadores pessoais, celulares e aplicativos de todo tipo, como Facebook, Twitter e WhatsApp, revolucionaram a própria natureza do que se entende por privacidade, comunicação e até democracia. Outro é o da energia, em que a substituição de combustíveis fósseis parece inevitável nas próximas décadas.

Em cada uma dessas áreas existem diferentes novos caminhos que podem ser seguidos. O que a experiência mostra é que alguns deles levam a fracassos e outros, a sucessos. Essa é a razão por que as opções que se apresentam como modernizantes devem ser submetidas a uma análise crítica para evitar equívocos, na medida do possível. Os custos de decisões inadequadas podem ser imensos.

Um exemplo claro desse problema é o que estamos enfrentando no que diz respeito ao futuro do sistema de transporte urbano e do automóvel.

Até o fim do século 19, transporte individual ou coletivo era feito exclusivamente por cavalos ou por veículos puxados por esses animais. Só para dar um exemplo, havia em Nova York no início do século 20 cerca de 150 mil cavalos, que poluíam a cidade com mais de mil toneladas de estrume por dia, tornando-a intransitável.

Em contraste, locomotivas movidas pela força expansiva do vapor da água fervente – como nas “marias-fumaça” do passado – começaram a circular na Inglaterra em 1804 e seu uso logo se espalhou pelo mundo todo, com estradas de ferro cobrindo a Europa e abrindo o oeste dos Estados Unidos à colonização. O uso de máquinas a vapor para substituir cavalos nas carruagens foi tentado, mas não se mostrou prático. Tentou-se também usar baterias elétricas – como as que usamos hoje nos nossos carros para dar a partida –, mas a autonomia dos automóveis era muito limitada.

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O mundo enfrentará uma lacuna de 40% no abastecimento de água até 2030. O acesso inadequado a água e saneamento custa US$ 323 bilhões anuais à economia global.
Quase dois terços dos maiores aquíferos do mundo estão sendo exauridos. A demanda mundial para a produção agrícola e energética deverá crescer 60% e 80%, respectivamente, até 2025. O acesso universal à água potável e ao saneamento custaria US$ 115 bilhões ao ano.
A agricultura usa 70% da água disponível globalmente. Mais de dois bilhões de pessoas não têm acesso a água potável. O dramático desafio global da questão da água, que vem sendo mapeado em inúmeras frentes, tem, contudo, uma boa notícia: a "infraestrutura verde".
O conceito ainda pouco conhecido será abordado na 8ª edição do Fórum Mundial da Água, que reúne esta semana em Brasília 10 mil representantes de empresas, instituições, universidades e governos.

É a ideia-chave do relatório "Soluções baseadas na Natureza para a Gestão da Água", o principal estudo da ONU a ser lançado durante o evento. Elaborado por especialistas de 31 agências das Nações Unidas e 39 parceiros internacionais, o estudo relata como elementos naturais podem ajudar no abastecimento, saneamento, redução de riscos e desastres ou na drenagem urbana, por exemplo. "É uma estratégia subestimada. Só 5% das soluções globais para problemas de água são baseadas na natureza. Os outros 95% são estruturas tradicionais de gerenciamento de água", disse ao Valor o hidrólogo Stefan Uhlenbrook, diretor do Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos liderado pela Unesco e coordenador do estudo. "Essas soluções podem ser muito mais baratas", continua. A cidade de Nova York é um exemplo famoso de iniciativas do gênero. No fim dos anos 1990, o governo nova-iorquino desistiu de investir quase US$ 10 bilhões em uma estação de tratamento de água e preferiu concentrar esforços em proteger as três bacias hidrográficas com reflorestamento e agricultura sustentável. Hoje a cidade economiza mais de US$ 300 milhões em tratamento de água. A China, por sua vez, planeja investir no projeto das "cidades-esponja". A ideia é reciclar 70% da água da chuva em 16 cidades-piloto, além de permitir maior infiltração e recarga do lençol freático utilizando asfaltos mais permeáveis.

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