Novo estudo com mamíferos marinhos mortos na costa da Grã-Bretanha mostra que todos os animais haviam ingerido microplásticos. Os pesquisadores analisaram o sistema digestivo de 50 bichos de 10 espécies de golfinhos, focas e baleias.

O relatório da análise, publicado na Scientific Reports, mostra que pedaços de plásticos com menos de 5 milímetros de comprimento foram encontrados em todos eles. Geralmente, o maior número foi registrado nos estômagos desses animais.


"É chocante, mas não surpreendente, que todos os animais tenham ingerido microplásticos", comentou Sarah Nelms, em comunicado. "O número de partículas em cada animal foi relativamente baixo. Uma média de 5,5 partículas por bicho, sugerindo que o plástico eventualmente passa pelo sistema digestivo ou é regurgitado."

A maioria das partículas era fibras sintéticas que vêm de roupas, redes de pesca, escovas de dente e outros produtos feitos de náilon. Outros fragmentos quebrados vinham de pedaços maiores, como embalagens de alimentos e garrafas plásticas.

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Enriquecimento dos pobres beneficia a todos, incluindo os ricos, aumentando o nível de bem-estar geral

Recentemente, vários indicadores têm buscado melhor medir a riqueza das nações como alternativa ao PIB. No entanto, tem se negligenciado um fator mais subjetivo, porém fundamental, na geração da riqueza e prosperidade, que é a felicidade e o bem- estar, objetivo maior de todos os humanos, como já apontava Aristóteles há mais de 2.300 anos. Se é a felicidade o que almeja a sociedade, uma nação próspera é aquela que melhor atende a estes anseios de seus cidadãos.

Para termos a felicidade coletiva, precisamos de um ambiente com confiança na sociedade e nas instituições públicas, entendendo a felicidade como uma causa do crescimento econômico, e não seu resultado, como muitas vezes é compreendido. A descrença e a desilusão não favorecem a produtividade. A ausência da confiança gera uma ansiedade crescente, um sentimento de insegurança, aumento de violência e distúrbios mentais, com todos os custos econômicos associados. Um nível mais elevado de satisfação faz com que as faltas ao trabalho sejam menores e melhore a produtividade e o desempenho, além da redução de custos com saúde. Solidariedade e respeito ao bem comum e ao patrimônio público aumentam, gerando uma maior riqueza material para a comunidade em questão. Um grau mais alto de confiança na sociedade em que se vive reduz os “custos de transação” desta sociedade, que passa a ter menores gastos com fiscalização, burocracia, corrupção, itígios, contratos e regulações. Tanto é assim que neste ano foi incluído no Fórum Econômico Mundial de Davos os impactos econômicos de questões relacionadas à ansiedade e à solidão.

O psicólogo americano Tim Kasser enfatizou o custo elevado dos valores materialistas. Seus estudos demonstraram que indivíduos que concentram sua existência na riqueza e outros valores materiais são menos satisfeitos com suas vidas. Centrados em si mesmos, preferem a competição à cooperação, contribuem menos com o interesse geral e se preocupam pouco com questões ecológicas e com o longo prazo. Um outro estudo conduzido pelo epidemologista inglês Richard Wilkinson e pela americana Kate Pickett, ao longo de 50 anos, concluiu que um nível maior de igualdade gera sociedades mais saudáveis, onde reinam harmonia e uma prosperidade maior. Eles mostram que o enriquecimento dos pobres beneficia a todos, incluindo os ricos, aumentando o nível de bem-estar geral.

Interessante notar o ciclo vicioso que se cria, já que o aumento do nível de confiança leva ao aumento da felicidade, que, por sua vez, eleva o altruísmo e a cooperação, produzindo dessa forma uma espiral progressiva de prosperidade. As motivações altruístas favorecem a cooperação. Quanto mais as pessoas cooperam, mais a prosperidade aumenta. Assim, a política econômica e de desenvolvimento de uma nação não deve excluir a promoção do altruísmo. Uma prova disso é a economia digital, que requer uma cultura de compartilhamento e colaboração. A expansão da transformação digital baseia-se em valores de abertura, livre acesso à informação e de criação conjunta de valor. Seu sucesso deve-se à participação de vários colaboradores.

São inúmeras as teorias e comprovações filosóficas ou científicas da relevância da felicidade para a prosperidade das nações, da importância maior do crescimento qualitativo das condições de vida do que o crescimento quantitativo do consumo. Não é por outra razão que vemos o aumento do interesse no tema da felicidade por parte de cientistas de diferentes áreas do conhecimento. Falta, entretanto, despertar o interesse nos políticos.

Suzana Kahn é presidente do Comitê Científico do Painel Brasileiro de Mudança Climática e coordenadora do Fundo Verde da UFRJ

suzana kahn bom dia rio 31 01 19Especialistas em mudanças climáticas dizem que o Brasil já sofre os efeitos do aquecimento global.

 

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