O Brasil e a biodiversidadeNo Fim do ano ocorrerão duas conferências internacionais, nas quais o Brasil usualmente tem protagonizado: a 14ª Conferência das Partes (COP) de Biodiversidade e a 24ª Conferência das Partes (COP) sobre mudanças climáticas. Apesar de os temas serem correlatos, pouca sinergia existe entre as COPs, e raramente o que nelas se discute é incorporado em nossa agenda econômica.

O Brasil, no entanto, é o País que mais teria a ganhar, no médio e longo prazos, caso atentasse para suas potencialidades de país mais megadiverso do mundo, abrigando seis diferentes biomas (Amazônia, Pantanal, Cerrado, Pampa, Mata Atlântica e Caatinga) e nível de emissão de gases de efeito estufa per capital ainda baixos, com várias alternativas de energia renovável.

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Um relatório divulgado nesta segunda-feira pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, órgão das Nações Unidas para assunto), em Incheon, na Coreia do Sul, mostra que ainda é possível minimizar a catástrofe climática, mas mudanças “rápidas” e “sem precedentes” são necessárias para atingir este objetivo. O documento de 400 páginas, elaborado pelos maiores especialistas do mundo, pede transformações radicais no modo como vivemos, desde as fontes energéticas que utilizamos aos alimentos que consumimos, para limitar o aquecimento do planeta em 1,5 grau Celsius em relação ao período pré-industrial.

Os cientistas alertam que o aquecimento acima deste patamar trará consequências profundas para a saúde e o bem-estar da Humanidade, e colocará ecossistemas e a biodiversidade em risco. Para evitar esse cenário, as emissões humanas de dióxido de carbono terão que cair 45% até 2030, em relação aos níveis de 2010, e zerar até 2050. E isso só será possível com mudanças no estilo de vida das pessoas e o desenvolvimento de tecnologias capazes de remover CO2 da atmosfera.

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Para o país que tem a maior reserva de água doce do mundo, o Brasil vem sofrendo secas demais. Só nos últimos anos, enfrentamos uma seca severa em São Paulo e em outros Estados do Sudeste, decretamos racionamento de água em Brasília e observamos perplexos à maior sequência de anos de seca registrada em um Nordeste já castigado por estiagens.

Tentamos solucionar essas crises da forma mais tradicional possível: com campanhas para a população economizar água, rodízios, racionamentos e obras de infraestrutura "cinza" - construção de canais, transposições e reservatórios. Essas soluções podem ter funcionado no passado, mas num cenário de mudanças climáticas agravado, não serão mais suficientes. O Sistema Cantareira é uma prova disso: poucos anos depois da crise hídrica de São Paulo, seus reservatórios voltaram a sofrer e hoje estão com apenas um terço da sua capacidade. Precisamos ser mais criativos se quisermos evitar crises piores.

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