relatórioascidadesNoticiaPor Suzana Kahn, professora da COPPE / UFRJ, DSc em Engenharia Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro

O aquecimento global é uma realidade que apresenta inúmeros riscos à sociedade mundial e tem uma relação direta com o aumento da emissão de gases estufa principalmente, dos que são derivados da queima dos combustíveis fósseis. Diante desse cenário, o setor de transporte tem um destaque especial, pois em 2012, foi responsável pela emissão de 7 GtCO2 (cerca de 22% do total) e mesmo com o avanço da eficiência energética dos veículos, este número tende a aumentar. Além disso, considerando os países em desenvolvimento, a demanda por transporte tende a crescer, devido ao aumento populacional aliado a uma melhor distribuição de renda e melhorias na infraestrutura (IPCC, 2013).

A taxa de urbanização tende a ser cada vez mais elevada, colocando as cidades com papel relevante, já que dispõem da característica de atrair pessoas em busca de bens, serviços, oportunidades de emprego e qualificação profissional. Com isso, têm-se a intensificação da demanda por transportes urbanos, bem como a intensificação de seus impactos ambientais e sociais. De forma a se construir uma cidade resiliente, opções de transporte tanto em termos de veículos, como combustíveis, infraestrutura e gestão são essenciais. Também é importante a promoção de novas práticas e mudança de comportamento. Sendo assim, a mobilidade urbana, representa um desafio para a sociedade, não apenas em termos de deslocamento, principalmente de pessoas, mas também sob a ótica dos impactos ambientais e sociais.
Considerando que as cidades universitárias representam, muitas vezes, uma amostra fidedigna de uma cidade real e a fim de descobrir e testar possíveis formas de minimizar os impactos causados pelo transporte, a Shell Brasil colabora com a Cidade Universitária da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) como um laboratório vivo para realização do desempenho de alternativas de mobilidade que reduzam a emissão de poluentes e promovam a melhoria do serviço de transporte.

A cidade universitária da UFRJ possui uma área de 5,2 km2 onde circulam cerca de 100 mil pessoas e trafegam 25 mil carros diariamente, o que a equipara, em números, a uma cidade de médio porte. Portanto, está perfeitamente credenciada a atuar como um laboratório vivo para análise de novas tecnologias e práticas.

As opções vão desde tecnologias avançadas, como levitação magnética e hidrogênio, veículos elétricos com bateria, opções de mudança de comportamento, como uso de bicicleta e compartilhamento de veículos, passando pelo uso de tecnologia da informação com emprego de aplicativos, até um melhor sistema de gestão da frota da universidade. O primeiro passo foi a determinação da situação atual de forma a se estabelecer uma linha de base em relação à qual serão avaliadas as alternativas e o estabelecimento de indicadores de desempenho.
Adicionalmente será construída uma plataforma contendo os indicadores de sustentabilidade e desempenho, incluindo aspectos econômicos como custos de investimento e operacionais, de cada uma das opções. A plataforma, sendo adotada por outras cidades, permite que se faça uma comparação do desempenho das tecnologias e práticas e também possibilita a evolução dos indicadores.
Vale lembrar que o ambiente universitário é ideal para iniciativas deste tipo uma vez que a comunidade que frequenta o local tende a estar mais apta a adotar novas tecnologias e práticas e replicá-las em outros locais, funcionando assim como um excelente balão
de ensaio.