A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi criada em 1920 e, em 1948, estabeleceu que se erguesse a Cidade Universitária em uma ilha criada artificialmente na baía de Guanabara, que viria a ser conhecida como Ilha do Fundão. O Projeto original, que possui evidente inspiração das concepções modernista prevalecentes nos anos 40 e 50, foi bastante alterado, com diversas estruturas programadas não construídas, criando, assim, grandes espaços vazios onde parte deles viriam a ser ocupados por outros órgãos federais (CENPES, CETEM, Instituto de Energia Nuclear). Dessa forma, a configuração atual da Cidade Universitária, através das diversas intervenções que passou durante os últimos 60 anos, se caracteriza como marcadamente rodoviarísta e funcionalista, em um espaço desintegrado onde se distribuem edificações em lotes generosos, com pouca ou nenhuma interconexão, separados por grandes espaços com função meramente paisagístico-contemplativa (Plano Diretor UFRJ, 2009; Gatto et al, 20101).

Plano Diretor UFRJ 2020
No ano de 2009, a UFRJ, através do Conselho Universitário, aprovou o Plano Diretor UFRJ 2020, com o objetivo de inserir a UFRJ e o Brasil em um mundo mais igualitário e solidário, nos aspectos social e ambientalmente responsáveis. Este plano conta com propostas de curto (2012), médio (2016), e longo prozo (2020) para as mais diversas áreas acadêmicas, administrativas e estruturais da UFRJ. Entre as áreas abordadas pelo Plano Diretor, estão iniciativas voltadas paras as áreas de: Urbanização, Mobilidade Urbana, Conectividade, Diversidade, Densidade, Responsabilidade Ambiental e Energética, Transporte Público e Transporte Ativo, e Planejamento Processos, entre outros.

Dentre as propostas planejadas, algumas já foram concluídas como a construção do Terminal Integrado – Estação UFRJ e o Bicicampus, que juntos tem objetivo de aumentar e melhorar a mobilidade na Cidade Universitária. Outro importante projeto já concluído é o Programa de Revitalização e Recuperação Ambiental do Canal do Fundão (com parceria da Prefeitura) que possibilitou a dragagem de três milhões de metros cúbicos de sedimentos ao longo de 7 km do Canal do Fundão e o plantio de mais de 500 mil mudas de plantas, com a revitalização de 400 mil m² de áreas degradadas e a recuperação de mais de 33 km2 de manguezais.

Por ser um projeto de longo prazo, o Plano Diretor UFRJ 2020 ressalta também o caráter permanente de planejamento que envolve incessante monitoramento e avaliação, não se atendo assim a concepção e elaboração do original do Plano. Isso significa, segundo o próprio plano, que “devemos ter,e não apenas nos horizontes de 2012 e 2016, mecanismos e processos de acompanhamento, correção de rumos, introdução de novas políticas e diretrizes sempre que se evidenciar necessário”.